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A Joaquina é o pico que colocou Florianópolis no mapa do surf brasileiro. Foi onde os primeiros campeonatos importantes do Sul aconteceram, e continua sendo referência: um beach break de qualidade a vinte minutos do centro da cidade, com dunas de areia enormes logo atrás da praia.
A onda
O canto direito, junto às pedras, é o setor clássico: forma a onda mais organizada e mais forte da praia, e é onde a fila se concentra. O restante da praia distribui bancos que mudam de temporada em temporada, com picos mais soltos e mais espaço.
A Joaquina aguenta swell de tamanho e não fecha com facilidade. Em dias grandes a correnteza junto às pedras fica forte. É o principal risco da praia e o que mais pega gente de fora desprevenida.
Quando ir
Outono e inverno concentram os melhores swells, como no resto do Sul. A contrapartida é a água: Santa Catarina é fria, e no inverno entrar sem roupa de borracha não é uma opção realista para a maioria. Leve pelo menos uma 3/2.
O verão tem mar menor e a ilha inteira lota. Florianópolis é um dos destinos de verão mais procurados do país, e o trânsito entre as praias vira um problema de verdade em janeiro.
Acesso
A Joaquina fica no leste da ilha, a uns 20 minutos do centro de Florianópolis e a menos de dez do centrinho da Lagoa da Conceição, por asfalto o caminho inteiro. A via de acesso desce entre as dunas e termina num estacionamento grande colado na areia, pago em alta temporada. Em janeiro ele lota antes das nove da manhã, e a fila de carro na descida é o gargalo real.
De ônibus dá para chegar: as linhas que atendem a Lagoa e a Joaquina saem do terminal central e do terminal da Lagoa, com frequência razoável durante o dia e ruim de madrugada, que é justamente o horário da melhor sessão. O aeroporto Hercílio Luz fica a cerca de 30 minutos.
Da areia, o canto das pedras é uma caminhada curta para o sul.
Nível e segurança
A Joaquina é intermediária, e a razão de ela ser levada a sério não é a onda, é a correnteza. O canto direito, junto às pedras, tem uma corrente de retorno permanente que corre para fora e é o que mais pega gente de fora desprevenida. Ela é o elevador dos locais, que a usam para sair sem remar, e o susto de quem não sabe que está nela. Se acontecer, não rema contra: atravessa paralelo à praia até sentir a água soltar.
O segundo item são as próprias pedras. Em mar grande a onda do canto termina correndo na direção do costão, coberto de craca e ouriço, e a saída ali exige tempo entre séries. Quem não conhece deveria entrar pelo meio da praia.
O terceiro é a temperatura, e ele é subestimado por quem sobe do Nordeste. No inverno a água fica entre 15 e 18 graus e o vento sul piora tudo: sem roupa de borracha adequada você perde força de remada em vinte minutos, o que transforma uma correnteza comum em problema sério. Uma 3/2 é o mínimo entre junho e setembro.
Iniciante tem lugar na Joaquina em mar pequeno e longe do canto, com salva-vidas por perto na temporada. Em mar de metro e meio para cima, não.
A ilha
Florianópolis é uma ilha com dezenas de praias e realidades muito diferentes em cada costa, e essa é a grande vantagem de basear uma viagem de surf ali. Quando o vento estraga o lado leste, o lado norte costuma estar protegido, e vice-versa.
A Joaquina fica no leste, junto à Lagoa da Conceição, que é onde a maior parte dos visitantes acaba se hospedando, pela concentração de pousadas, restaurantes e vida noturna. Do centro da Lagoa até a praia são poucos minutos de carro.
Praias vizinhas que valem o desvio: Mole e Campeche, ambas a curta distância e com perfis bem distintos de onda.
Onde comer e dormir
Quase todo mundo que vai pelo surfe se hospeda na Lagoa da Conceição, e é a escolha certa: é o bairro com maior oferta de pousada, hostel e aluguel por temporada da ilha, tem mercado e restaurante funcionando o ano inteiro e fica a poucos minutos da Joaquina, da Mole e do Campeche. A contrapartida é o barulho: é também o centro da noite de Florianópolis, e a rua principal não dorme cedo em janeiro.
Quem prefere silêncio fica no Campeche ou no Rio Tavares, mais residenciais e mais baratos, com dez a quinze minutos de carro até o mar do leste. O centro da cidade é a opção econômica de quem chega sem carro, mas paga isso em tempo de ônibus todo dia.
Na praia a estrutura é de quiosque, com preço de ponto turístico. Em alta temporada a ilha inteira exige reserva com antecedência, e os preços de dezembro a fevereiro chegam a dobrar em relação a maio.
As dunas
Atrás da praia ficam as dunas da Joaquina, uma das paisagens mais conhecidas da ilha. Dá para descer de sandboard, e é o passeio óbvio para um dia sem mar ou para quem viajou com quem não surfa.
Curiosidades sobre Joaquina
As dunas são o plano B
Atrás da praia ficam as dunas da Joaquina, onde se desce de sandboard. É o passeio óbvio para um dia sem mar e a razão de a praia funcionar para quem viajou acompanhado de gente que não surfa.
Onde o surf catarinense se firmou
A Joaquina sediou os campeonatos que colocaram Santa Catarina no mapa do surf brasileiro, e por muito tempo foi sinônimo de surf no sul do país. Hoje a ilha tem picos melhores em várias direções, mas o peso histórico continua sendo dela.
Água fria o ano inteiro
Não é detalhe: no inverno catarinense entrar sem roupa de borracha não é opção realista para a maioria. Quem sobe do Nordeste achando que vai surfar de bermuda perde a viagem.
Atualizado em 07 de agosto de 2026